Mostrando postagens com marcador Pintura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pintura. Mostrar todas as postagens

10/05/2009

Imagens de José Clemente Orozco

Outro artista latino americano que gostaria de apresentar a vocês é o mexicano José Clemente Orozco (1883–1949).
Junto com Diego Rivera e
Davi Alfaro Siqueiros (em outras oportunidades farei também apresentações dos dois primeiros), Orozco faz parte do rol de muralistas do México.
Vamos ver algumas obras de Orozco.

Deuses do mundo moderno

Retrato de Miguel Hidalgo

Cristo destruindo sua cruz

Cortez e a Cruz

Prometeu

A figura de Quetzalcoatl


Pra quem quiser conhecer outras obras de Orozco, recomendo o link abaixo:

http://www.dartmouth.edu/~spanmod/mural/

Pode dar uma olhada também na pesquisa do google imagens, que fiz pra vocês. basta clicar aqui.

Sobre Antonio Berni

Essa América Latina... Bora descobrir mais algumas coisas sobre as artes em nosso continente?
Dessa vez, trago pra vocês algumas imagens do argentino Antônio Berni.
Berni nasceu em 1905, na cidade de Rosário, vindo a falecer em Buenos Aires, em 1981. Se vivo estivesse, estaria completando 104 anos neste dia 14 de maio. Berni foi pintor, gravador, muralista, ilustrador.

Vamos ver algumas obras dele, e no final, dois vídeos.

Cristo en el garage


Las modelos


El gran mundo


Chacareros


Desocupados



Manifestación


La siesta


Juanito Laguna
(xilocolagem)


Juanito con pescado (xilografia)

Juanito Laguna... Vale a pena saber mais um pouco sobre esta figura arquetípica criada por Antonio Berni.

Assistam aos vídeos pra saber mais sobre Berni e Juanito.



Olhem este outro vídeo também, sobre a criação de Juanito.



Conheçam mais obras de Antonio Berni, clicando aqui.

08/05/2009

Um pouco de Oswaldo Guayasamín

A América Latina produz umas coisas que os latinoamericanos não poderiam imaginar...
O camarada da foto acima é Oswaldo Guayasamín. Creio que não sejam muitas as pessoas que já ouviram falar dele.
Nasceu no dia 6 de julho de 1919, na cidade de Quito, no Equador (Como diz aquela marchinha: "A capital do Equador é sempre Quito". Eita que essa fonética cacofônica brasileira é uma pilantrinha...
Guayasamín morreu em 10 de março (aniversário de Pacheco, o velho) de 1979.
Mas então. Mãos expressionantemente ossudas. Figuras cadavéricas. Rostidades profundas e sinistras. Olhos que pairam sobre as órbitas. Bocas flamejantes.
Esse cara tem umas obras que vou vos mostrar...


Quito de la nube negra



Flores secas



El Dolor

É só olhar. Não preciso escrever coisas sobre a imagem.

Melhor mostrar outras, não? Lá se vão.

Beruño


Depois de Beruño a gente pode começar a ver algumas das mais dramáticas de Guayasamín... São muitas; e densas. A série 'Las manos', da coleção "La Edad de la Ira", são muito expressionantes.

Las manos del mendigo



Las manos del Terror



Las manos de la protesta


Las manos del silencio


Las manos insaciables


Mais uma?

Arrastre


Agora, o caminho das pedras...
Descubram mais de Guayasamín por vos mesmos. Podem visitar o site do artista. O link é o seguinte:
http://www.guayasamin.com/pages/index.html
Podem também dar uma pesquisada no google imagens. Mas não precisam buscar. Já fiz isso pra vosmecês...
Clicai-vos no link - mais de Oswaldo Guayasamín.

Achei este vídeo sobre Guayasamín no youtube. Vale a pena assistir.

04/12/2008

Entre o Celo e a Tela

Entre o Celo e a Tela,
O céu e a terra se (como) movem...
Paira, translúcido, o olhar-de-ouvido
Dolorido e Colorido que
Agiganta a pequenez de quem,
Em letras, imprime impressões-de-Tez.

É no silêncio que silencia o sereno;
Desvendando em tom-de-cores,
O tom da música-inimaginável.
Insondável é Sondado o som.
Sua ausência assombra...
À espreita, que acorde ataca?

Ata-se, num gesto, o sono
Da angústia-de-poeta-profundo
Que penetra o ébrio instante da Criação.
Com mil braços cria a mão-frenética!
Asceta do ascetismo servil:
Assim se olvida a vida vil.

No Som-das-Cores, a Arte dança.
Tem Dó de Si, este poeta-Bemol
Que ao Sol se encanta...
Entre o Olho e a Obra,
No ouvido sobra a Sombra-invisível

Do Pincel-batuta que rege-em-Traços...

No tempero da Orquestra-Braços
Tem, pelo menos, mil Laços
O destempero insólito do Celo-Solo.
Ledo engano-de-poeta-Cego-Surdo...
Solo é o poeta-Solitário,
Que desenha no imaginário

O Tom-de-Acordes ao Som-de-Cores


______________________

* Poema-ensaio inspirado e dedicado à tela do pintor Roberto Ploeg, "O Violoncelista" (Óleo sobre tela, 120 x 105).

09/04/2008

Picasso: uma dinamite na arte do século XX

Hoje (08) fazem 35 anos da morte do pintor espanhol Pablo Picasso. Nascido em 25 de outubro de 1881, veio a falecer em 8 de abril de 1973.

Clique aqui se quiserem ler uma breve biografia de Picasso.

Antes de inaugurar o modelo estético cubista com sua tela “As senhoritas de Avignon”, Pablo Picasso já havia produzido obras significativas (não apenas pinturas, como também esculturas) em um período que foi denominado de fase azul e fase rosa, nas quais utilizava-se de elementos maneiristas, além da influência visível da estética das cores de Van Gogh.

No ano de 1907, Picasso pintou uma das telas mais inovadores da época, intitulada Demoiselles d’Avignon –- As Senhoritas de Avignon. A composição desta tela não apresenta unidade, seus personagens não trazem relevos definidos, é composta de linhas, ângulos e planos imbricados, em uma palavra, é torpe (no bom sentido!).

“Uma criança pintaria este quadro!” Disse-me alguém, certa vez, argumentando que as formas não são bem delineadas e que as figuras que compõem a obra estão em situações de perspectiva equivocada. “Há algo errado neste quadro…”

Ora, nunca ninguém me disse isso,– ainda bem! Sim: há algo errado neste quadro. E, isto é ótimo!

A intenção de Picasso, talvez, tenha sido justamente romper com certos padrões fixados na arte da pintura, até então. Mas, essa ruptura não se fez sob a égide do desprezo ao que veio antes, pelo contrário, podemos dizer que Picasso produziu arte em padrões clássicos: pintura, escultura, gravura, cerâmica.

Seria, por outro lado, muita ingenuidade de nossa parte, acreditar que a “ruptura” provocada por Picasso, a partir desta tela, não teria tido nenhum precedente. Décadas antes, Paul Cézanne e Vincent Van Gogh (se recuarmos mais, Delacroix e Goya) já haviam provocado algum tipo de “mal-estar” nos padrões estéticos vigentes.

Os valores estéticos que Picasso agrega na tela (As Senhoritas de Avignon) são fundamentais para tudo o que se produziu nas artes plásticas posteriormente.

É com esta obra que Picasso inaugura o que se convencionou chamar de Cubismo. (clique aqui para saber mais sobre o cubismo)

Imagine uma cabeça humana. As cabeças humanas são circulares, com as orelhas estando dispostas uma de cada lado da cabeça (isso dentro dos padrões da normalidade humana…). Agora suponha que se abra esta cabeça como uma folha de papel, depositando-a sobre uma superfície horizontal. Estranhamente as orelhas e demais partes não estarão mais opostas, mas paralelas.

Essa é a lógica básica do cubismo, assim como eu o compreendo.

A partir da dissolução do grupo cubista, no ano de 1914 (quando do início da 1º Grande Guerra), Picasso iniciará uma fase de eternas transformações. Sua arte provocará travessias em diversos planos. Sua obra “Guernica” é um exemplo de aguda criação crítica.

Nesta obra, Picasso produz imagens atrozes dos efeitos torpes do bombardeio alemão ao pequeno vilarejo de Guernica, no país Basco, Espanha, quando da Guerra Civil espanhola, na década de 1930.

Na tela acima, “Mulher chorando com lenço” (também de 1937), Picasso retoma parte dos esboços feitos para Guernica, ampliando os traços (feitos à margem inferior esquerda) de uma mãe que carrega seu filho morto nos braços. Envolta em luto e dor, a mulher agora está sozinha.

O rosto fragmentado, distorcido e atormentado é realçado pelas cores berrantes. “As cores estão para um pintor assim como os conceitos estão para os filósofos“, diria Guilles Deleuze.

Curioso (se olharmos mais atentamente) é que os dedos da mulher tornam-se o próprio lenço, sendo mordido desesperadamente pela mãe, numa simbiose que representa (segundo uma das interpretações possíveis) a tristeza, a dor da perda de um ente querido em um mundo atroz e cruel.

No dizer de Alberto Beuttenmüller:

“Picasso é o artista do devir e o que está passando, a um só tempo, do hoje e do arcaico, o artista que mudou tudo para que tudo restasse no mesmo lugar. O artista veloz que se permite ser do século XX e de todos os séculos, sem deixar de ser do agora. Picasso foi um movimento que se fez pintura, mais que todas as escolas do século XX; foi e é o pintor-tempo.”

Para visitar o site do Museu Picasso de Barcelona, clique aqui.

Para visitar o site do Museu Picasso de Paris, clique aqui.

Para os interessados em estudar mais fundo a relação entre Memória, Imagem e Educação, leiam o artigo “Imagens e Memória na (re)construção do conhecimento", de Áurea Maria Guimarães.

08/04/2008

Frida Kahlo: palavra e imagem em uma obra fascinante

A pintora mexicana, Frida Kahlo, se viva estivesse, seria hoje uma senhora de mais de 100 anos de idade. Nascida em 6 de julho de 1907, a pintora faleceu aos 47 anos, no dia 13 de julho de 1954.

Artista cuja existência foi permeada por episódios trágicos, sua obra é marcada pela expressividade soberana de uma arte sagaz sob uma estética surrealista.

Frida revela em suas telas o grito surdo de sua dor ante as adversidades de sua vida e seus descaminhos amorosos ao lado do muralista Diego Rivera.


Frida abre as portas de seus traumas ao público, expondo seu débil corpo em representações profundas e chocantes.

A Coluna Quebrada


Sua obra e vida nos permite olhares diversos.

Nascida em meio à Revolução Mexicana, com raízes em dois universos distintos - filha de um judeu austro-húngaro e de uma descendente indígena mexicana -, Frida revela em sua obra condições históricas conturbadas, refinamento estético e um misticismo marcado pela sua relação com a morte e com a dor.

"Duas Fridas"


Frida foi uma mulher partida ao meio, fraturada, rasgada, fragmentada pela sua conflituosa existência. No entanto, resistente e surpreendente.

Contemplar sua obra é uma zona de atritos: difícil não sofrer efeitos estético-político-filosóficos ao observar suas telas.

Um olhar estético possível sobre sua arte nos remete à análise do filósofo, historiador e epistemólogo francês Michel Foucault, do quadro de René Magrite, Isto não é um Cachimbo.

Isto não é um Cachimbo - René Magrite


O texto de Foucault (cujo título é o mesmo da tela de Magrite) analisa o uso conjugado da palavra e da imagem. É como um caligrama (textos cujos caracteres compõem uma figura relacionada com a mensagem que se quer expressar), onde a palavra escrita reforça a imagem e a imagem reforça a palavra escrita em uma espécie de exercício de tautologia, no qual imagem e palavra reforçam um mesmo conceito.

Auto retrato com cabelo cortado


Esta pintura marca um grito de libertação de Frida, assolada pela dor do adultério de seu marido com sua irmã, Cristina. Ao negar-se os atributos femininos que Rivera tanto apreciava (as vestes tehuanas e seus longos cabelos), ela se afirma enquanto uma pessoa livre. Seus cabelos espalhados pelo chão são um retrato da desordem de sua própria alma, picotada pela dor de ver sua irmã e seu marido juntos.


A misteriosa imagem de Frida nesta tela, reforçada pelo mistério das palavras é inspiração em estado bruto; é a expressão do intangível e o aval para um olhar multiplamente agregador de sentidos, o que confere à sua obra uma condição ontologicamente de Arte.

A obra de Frida é um convite ao pensamento. Sua verve inebriante é transmitida em calafrios aos olhares que vislumbram suas telas.

Frida não foi só uma artista, ou uma mulher. Foi um acontecimento à parte no século XX. Um meio-dia e um profundo esgar da alma.

O Amor abraça o Universo


Caso queiram ler o interessante texto de Rachel Sztajnberg sobre Frida Kahlo, cliquem aqui.

Sugestões de leitura:

- Frida Kahlo, la pintora y el Mito, de Teresa del Conde;

- O diário de Frida Kahlo: Um Auto-Retrato Íntimo, de Frida Kahlo;

- Isto não é um Cachimbo, Michel Foucault.