10/05/2009

Imagens de José Clemente Orozco

Outro artista latino americano que gostaria de apresentar a vocês é o mexicano José Clemente Orozco (1883–1949).
Junto com Diego Rivera e
Davi Alfaro Siqueiros (em outras oportunidades farei também apresentações dos dois primeiros), Orozco faz parte do rol de muralistas do México.
Vamos ver algumas obras de Orozco.

Deuses do mundo moderno

Retrato de Miguel Hidalgo

Cristo destruindo sua cruz

Cortez e a Cruz

Prometeu

A figura de Quetzalcoatl


Pra quem quiser conhecer outras obras de Orozco, recomendo o link abaixo:

http://www.dartmouth.edu/~spanmod/mural/

Pode dar uma olhada também na pesquisa do google imagens, que fiz pra vocês. basta clicar aqui.

Entre Moscas e Gotas, Cortázar


"O fantástico é a indicação súbita que, à margem das leis aristotélicas e da nossa mente racional, existem mecanismos perfeitamente válidos, que nosso cérebro lógico não capta".

Progresso e retrocesso

Inventaram um vidro que deixava passar as moscas. A mosca chegava, empurrava um pouco com a cabeça e pop, já estava do outro lado. Enorme, a alegria da mosca.

Tudo foi estragado por um sábio húngaro, quando descobriu que a mosca podia entrar mas não podia sair, ou vice-versa, por causa de quem sabe lá que besteira na flexibilidade das fibras daquele vidro que era muito fibroso. Em seguida inventaram o caça-moscas com um torrão de açúcar dentro, e muitas moscas morriam desesperadas. Assim acabou toda confraternização possível com estes animais dignos de melhor sorte.


O esmagamento das gotas

Eu não sei, olhe, é terrível como chove. Chove o tempo todo, lá fora fechado e cinza, aqui contra a sacada com gotões coalhados e duros que fazem plaf e se esmagam como bofetadas um atrás do outro, que tédio. Agora aparece a gotinha no alto da esquadria da janela, fica tremelicando contra o céu que a esmigalha em mil brilhos apagados, vai crescendo e balouça, já vai cair e não cai, não cai ainda. Está segura com todas as unhas, não quer cair e se vê que ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga, já é uma gotona que pende majestosa e de repente zup, lá vai ela, plaf, desmanchada, nada, uma viscosidade no mármore.

Mas há as que se suicidam e logo se entregam, brotam na esquadria e de lá mesmo se jogam, parece-me ver a vibração do salto, suas perninhas desprendendo-se e o grito que as embriaga nesse nada de cair e aniquilar-se. Tristes gotas, redondas inocentes gotas. Adeus gotas. Adeus.

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* Pedaço do livro "Histórias de Cronópios e de famas", do escritor Julio Cortázar. Pra quem não conhece, aí vai um pouco sobre Cortázar:

Filho de pai diplomata, Julio Cortázar nasceu por acaso em Bruxelas, no ano de 1914. Com quatro anos de idade foi para a Argentina. Com a separação de seus pais, o escritor foi criado pela mãe, uma tia e uma avó. C

Com o título de professor normal em Letras, iniciou seus estudos na Faculdade de Filosofia e Letras, que teve que abandonar logo em seguida, por problemas financeiros. Para poder viver, deu aulas e diversos colégios do interior daquele país. Por não concordar com a ditadura vigente na Argentina, mudou-se para Paris, em 1951.

Autor de contos considerados como os mais perfeitos no gênero, podemos citar entre suas obras mais reconhecidas “Bestiário” (1951), “Las armas secretas” (1959), ), “Rayuela”, (1963), “Todos los fuegos el fuego” (1966), “Ultimo round” (1969), “Octaedro” (1974), “Pameos y Meopas” (1971), “Queremos tanto a Glenda (1980) e “Salvo el crepúsculo” – póstumo (1984). O escritor morreu em Paris, de leucemia, em 1984.

Sobre Antonio Berni

Essa América Latina... Bora descobrir mais algumas coisas sobre as artes em nosso continente?
Dessa vez, trago pra vocês algumas imagens do argentino Antônio Berni.
Berni nasceu em 1905, na cidade de Rosário, vindo a falecer em Buenos Aires, em 1981. Se vivo estivesse, estaria completando 104 anos neste dia 14 de maio. Berni foi pintor, gravador, muralista, ilustrador.

Vamos ver algumas obras dele, e no final, dois vídeos.

Cristo en el garage


Las modelos


El gran mundo


Chacareros


Desocupados



Manifestación


La siesta


Juanito Laguna
(xilocolagem)


Juanito con pescado (xilografia)

Juanito Laguna... Vale a pena saber mais um pouco sobre esta figura arquetípica criada por Antonio Berni.

Assistam aos vídeos pra saber mais sobre Berni e Juanito.



Olhem este outro vídeo também, sobre a criação de Juanito.



Conheçam mais obras de Antonio Berni, clicando aqui.

08/05/2009

Um pouco de Oswaldo Guayasamín

A América Latina produz umas coisas que os latinoamericanos não poderiam imaginar...
O camarada da foto acima é Oswaldo Guayasamín. Creio que não sejam muitas as pessoas que já ouviram falar dele.
Nasceu no dia 6 de julho de 1919, na cidade de Quito, no Equador (Como diz aquela marchinha: "A capital do Equador é sempre Quito". Eita que essa fonética cacofônica brasileira é uma pilantrinha...
Guayasamín morreu em 10 de março (aniversário de Pacheco, o velho) de 1979.
Mas então. Mãos expressionantemente ossudas. Figuras cadavéricas. Rostidades profundas e sinistras. Olhos que pairam sobre as órbitas. Bocas flamejantes.
Esse cara tem umas obras que vou vos mostrar...


Quito de la nube negra



Flores secas



El Dolor

É só olhar. Não preciso escrever coisas sobre a imagem.

Melhor mostrar outras, não? Lá se vão.

Beruño


Depois de Beruño a gente pode começar a ver algumas das mais dramáticas de Guayasamín... São muitas; e densas. A série 'Las manos', da coleção "La Edad de la Ira", são muito expressionantes.

Las manos del mendigo



Las manos del Terror



Las manos de la protesta


Las manos del silencio


Las manos insaciables


Mais uma?

Arrastre


Agora, o caminho das pedras...
Descubram mais de Guayasamín por vos mesmos. Podem visitar o site do artista. O link é o seguinte:
http://www.guayasamin.com/pages/index.html
Podem também dar uma pesquisada no google imagens. Mas não precisam buscar. Já fiz isso pra vosmecês...
Clicai-vos no link - mais de Oswaldo Guayasamín.

Achei este vídeo sobre Guayasamín no youtube. Vale a pena assistir.

07/05/2009

Breve prosa sobre Mário Benedetti

Conhecem este senhor da foto acima? É Mário Benedetti, um poeta e escritor uruguaio. Nasceu em 1920. Está beirando a década de 90 de sua existência.

Vale a pena conhecer melhor esse poeta. Algumas coisas dele podem ser lidas no link abaixo:

http://www.avantel.net/~eoropesa/html/poesia/mbenedetti1.html

Aproveitem e ganhem alguns minutos na Cadena Poesia de Benedetti.

Bem, a questão é que eu soube hoje que ele anda um tanto doente. Eu também estou adoentado esta semana, mas é uma simples gripe (não a suína!). Porém, esqueçamos a mim, um poeta de fraudas, e pensemos em Benedetti.

Lendo, há pouco, O Caderno de Saramago - leitura quase diária e obrigatória pra mim - descobri que Mário não vai muito bem da saúde.

Uns versos cativantes de Benedetti:

Síndrome

Todavía tengo casi todos mis dientes

casi todos mis cabellos y poquísimas canas

puedo hacer y deshacer el amor

trepar una escalera de dos en dos
y correr cuarenta metros detrás del ómnibus

o sea que no debería sentirme viejo

pero el grave problema es que antes

no me fijaba en estos detalles.

Cometo o infame gesto de traduzir um poema:

Ainda tenho quase todos os meus dentes
quase todos os meus cabelos e poucos grisalhos

posso fazer e desfazer o amor

subir uma escada de dois em dois

e correr quarenta metros atrás do ônibus

por isso não deveria me sentir velho
mas o problema grave é que antigamente
não me apegava a estes detalhes.


Outro que gosto bastante é "Si dios fuera una mujer".

Este me recuso a traduzir. Leiam na língua dele os primeiros e últimos versos:

Si Dios fuera una mujer
  ¿y si Dios fuera una mujer?    
-Juan Gelman


¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,

vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos

no dijéramos no con la cabeza

y dijéramos sí con las entrañas.
(...)

Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia."
Loas minhas a Mário Benedetti.

06/05/2009

Mágicas sonora e textual


No vídeo acima, Dante Bucci toca Fanfare em um
Panart Hang, um instrumento musical que possivelmente é mágico, que vocês deveriam conhecer...

Digamos que seja um "instrumento magical".

Fantasticamente mágico, como alguns versos de Jorge Luis Borges, nos Fragmentos de um Evangelho Apócrifo

3. Desventurado o pobre de espírito, porque debaixo da terra será o que agora é na terra.
4. Desventurado o que chora, porque já tem o hábito miserável do pranto.
5. Ditosos os que sabem que o sofrimento não é uma coroa de glória.
6. Não basta ser o último para ser alguma vez o primeiro.
7. Feliz o que não insiste em ter razão, porque ninguém a tem ou todos a têm.
8. Feliz o que perdoa aos outros e o que se perdoa a si mesmo.
9. Bem-aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
10.Bem-aventurados os que não têm fome de justiça, porque sabem que nossa sorte, adversa ou piedosa, é obra do acaso, que é inescrutável.
11. Bem aventurados os misericordiosos, porque sua felicidade está no exercício da misericórdia e não na esperança de um prêmio.
12. Bem-aventurados os de limpo coração, porque vêm a Deus.
13. Bem-aventurados os que padecem perseguição por causa da justiça, porque lhes importa mais a justiça que seu destino humano.
14. Ninguém é o sal da terra; ninguém, em algum momento de sua vida, não o é.
15. Que a luz de uma lâmpada se acenda, embora nenhum homem a veja, Deus a verá.
16. Não há mandamento que não possa ser infringido, e também os que digo e os que os profetas disseram.
17. O que matar pela causa da justiça, ou pela causa que ele crê justiça, não tem culpa.
18. Os atos dos homens não merecem nem o fogo nem os céus.
19. Não odeies a teu inimigo, porque se o fazes, és de algum modo seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que tua paz.
20. Se te ofender tua mão direita, perdoa-a; és teu corpo e és tua alma e é árduo, ou impossível, fixar a fronteira que os divide...
24. Não exageres o culto da verdade; não há homem que ao fim de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.
25. Não jures, porque todo juramento é uma ênfase.
26. Resiste ao mal, mas sem espanto e sem ira. A quem te ferir na face direita, podes oferecer-lhe a outra, sempre que não te mova o temor.
27. Eu não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.
28. Fazer o bem a teu inimigo pode ser obra de justiça e não é árduo; amá-lo, tarefa de anjos e não de homens.
29. Fazer o bem a teu inimigo é o melhor modo de comprazer tua vaidade.
30. Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.
31. Pensa que os outros são justos ou o serão, e se não é assim, não é teu erro.
32. Deus é mais generoso que os homens e os medirá com outra medida.
33. Dá o santo aos cães, deita tuas pérolas aos porcos; o que importa é dar.
34. Busca pelo agrado de buscar, não pelo de encontrar...
39. A porta é a que escolhe, não o homem.
40. Não julgues a árvore por seus frutos nem ao homem por suas obras; podem ser piores ou melhores.
41. Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fora pedra a areia...
47. Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem soberba.
48. Felizes os valentes, os que aceitam com ânimo semelhante a derrota ou as palmas.
49. Felizes os que guardam na memória palavras de Virgílio ou de Cristo, porque estas darão luz a seus dias.
50. Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor.
51. Felizes os felizes.

In: Elogio da Sombra.

13/04/2009

Sexta cinza e santa

A alma, como papel, se desfaz.
Dissolve-se em pequenas
fatias de cinza
- Em uma cinza sexta santa.


Ao largo, toda alegria
espreita a melancolia
- À revelia da alma fria
que assa
Sua sombra sombria na ausência do sol.

Taciturno, passa o dia que não houve dia, senão
Trevas.

Nestes dias sem sol
a solidão assola.

Triturei-me as carnes da alma,
em um moedor
Metafísico de carnes e almas.

06/04/2009

Das dobras e das obras

Os tempos dobram
Como dobram as dobras da moça,
As dobras das ondas,
As dobras das obras,
E todas as dobras
Que dobram todas as coisas.


Os espaços dobram,
Como dobram as dobras dos quadrículos,
As dobras das sobras,
Que se dobram
E se redobram.

As obras dobram,
E dobram as possibilidades
De novas dobras,
Infinitas dobras,
Dobras sobre dobras
Que multiplicam as sobras
Que já inteiras
Nunca
Hão
De
Faltar às curvas.

Obra sobre obra, dobra sobre dobra:
O dobro do que sobra vezes o dobro do que falta:
Nada falta, nada sobra:
Dobra sobre dobra
Obra sobre obra.

______________________

* Desenho de Iara Sales.
** Acesse o Flickr de Iara Sales:
http://www.flickr.com/photos/iarasales

Mais-além, ainda



“Toda palavra tem sempre um mais-além,
sustenta muitas funções
envolve muitos sentidos
Atrás do que diz um discurso,
há o que ele quer dizer e,
Atrás do que quer dizer,
há ainda um outro querer dizer,
e nada será nunca esgotado.”
_________________________

* Texto: Lacan.

** Vídeo-clipe: Explosion in the Sky - A Song for our Fathers.

*** Este post foi inspirado no texto de Ordep Inácio p/ o blog Acerto de Contas - clique no link abaixo p/ ler o texto:
"Não-só, mais-ainda!"

02/04/2009

Papillon D'Amour



Vídeo: Papillon D'Amour
- Nicolas Provost, 2003

Fragmentos de um filme de Kurosawa no reflexo de um espelho. Faz uso do material original com as imagens espelhadas num eixo longitudinal, o qual produz uma sequência de novas e associativas imagens.

As personagens são transformadas em novas formas de vida com capacidades miraculosas que desafiam as leis da gravidade.

O impulso do espectador para interpretar a nova representação como uma história é encorajado pela manutenção sutil de resíduos da narrativa de Kurosawa. A música é da autoria de Autechre.