23/11/2009

Da paixão alheia



"- Zézinho, tudo é tão belo com você! As estrelas, furtacor, são como planetas mil pra sermos eternos! E eu te amo tanto, meu amor!..."

Acabou a energia. A TV desligou e José ficou no escuro. Resignado, resolveu mecher-se na divã-poltrona, após cerca de seis horas e 56 segundos. Suas pernas já dormentes relutaram em obedecer ao pensamento de José, que desistiu do movimento e continuou sentado no divã-poltrona e escuro fazia quando voltou a luz novamente.

"- Oh! Mariazinha, é tão bom te ter só minha!"

...

, José agora mudou de canal. Dessa vez a TV mostrava uma séria reportagem sobre atos do governo, de viés econômico misturado com fenômenos naturais, como "tempestades", "abalos", "céu nublado do mercado", e mais alguns substantivos que José já nem sequer diferenciava-os mais; e mais ainda quando moveu as pernas já não muito dormentes de seu divã-poltrona para levantar-se um pouco depois daqueles mais de seis horas sentado, como que afundado, no divã-poltrona.

Ele levantou e foi-se à cozinha apanhar um copo com água. José esqueceu-se do copo d'água e preparou-se um cafezinho. Como ele gostava... Com bastante açúcar... - escondido, já que José sabia que os outros sabiam de sua propensão ao diabetes.

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