28/04/2008

O Guardador de Verdades

Pega esse cretino! Venha cá, seu pilantra! Agora a gente vai te dar um corretivo e você vai aprender a se comportar direitinho!

O guarda agarrou XXX pela gola da camisa e derrubou ele no chão. Algemando suas mãos, arrastou-o até o camburão, que se encontrava parado com o motor já acionado, cerca de uns 15 metros à frente. Jogou-o bruscamente na mala do carro, batendo-a com força, e entrou pela porta traseira e mandou o outro policial que dirigia partir.

Circularam pela cidade durante 10 minutos. XXX suava frio e tremia. Não sabia o que lhe aguardava.

P7, pára o carro ali, entre os armazéns. Vamos mostrar pra esse imbecil o que é a Verdade!

Ok, C9. Respondeu P7.

Pararam o carro em uma rua escura, entre dois grandes galpões. Os três policiais desceram simultaneamente do carro. C9 abriu a mala, e ordenou que B4 tirasse XXX. B4, de pronto, atendeu a ordem de C9, que nesse momento falava em particular com P7.

B4, encosta o imbecil ali na parede. Disse C9.

Sim, Senhor! Acatou B4.

Saindo da conversa particular, C9 caminhou até o lugar em que XXX estava sentado, com as costas escoradas na parede do galpão, com a cabeça abaixada entre os joelhos. Ainda tremia, embora já não suasse tanto.

C9, então, chegou-se mais perto, abaixou-se e disse com voz serena e cínica:

Então, quer dizer que você é “Doutor”? Doutor de quê mesmo? De História? Com especialidade em olhos, não é mesmo?! Acho que depois de hoje, você vai ter muita estória pra contar...

C9 falou isso com um sorriso assombroso entre os seus grandes dentes, que mais pareciam compor a mandíbula de um cavalo.

Vejamos: o P7 estava me falando ali que você é especialista em História da Punição e da Vigilância... Técnico em olhos, digamos. Mudando de tom, prosseguiu. Eu não entendo como alguém pode ser isto!... Vejamos seus olhos... Levanta a cabeça, seu imbecil! Analisou durante alguns segundos os olhos esbugalhados de XXX. Hum... Olhos negros. Grandes. Misteriosos... E essa barba nojenta? Ao falar de sua barba, deu-lhe um tapa de leve em sua face esquerda. Você não deve se olhar muito no espelho... Levanta a cabeça, seu merda! Desta vez o tapa na face foi mais forte. Nós bem que poderíamos fazer uma micro cirurgia em seus olhos agora... O que você acha? Olhava-o, neste momento, com olhos do mal. Perfurá-los lentamente... B4, me traz aquela agulha que está na carro. Acabo de ter uma excelente idéia!

Sim, Senhor! Respondeu B4, trazendo-lhe logo em seguida um pequeno objeto brilhante, que de fato era uma agulha.

Puxando um isqueiro do bolso direito da farda, C9 acendeu-o e levou a agulha até à chama.

B4, segura aqui a cabeça do Doutor em Olhos. Vejamos se ele conhece a Verdade mesmo...

B4 segurou a cabeça de XXX, enquanto P7 abria um de seus olhos, puxando fortemente sua pálpebra pelos cílios. C9 apagou o isqueiro, e direcionou a agulha avermelhada para o olho de XXX. Mirando diretamente no centro do glóbulo ocular, C9 encostou a agulha quente no olho de XXX, embora sem chegar de fato a perfurar. Apenas tocando-o levemente. XXX soltou um grito apavorado, estridente e 'assonhombroso'.

De pronto, C9 puxou de volta a agulha, e enfiou-lhe uma cotovelada em cheio no maxilar de XXX, que caiu de lado, chorando de dor.

Isso é pra você aprender a não dar uma de dono da Verdade, seu imbecil!

Chutando-lhe a costela, C9 iniciou um espancamento impiedoso e brutal contra o corpo de XXX. Após alguns minutos de pancadas, C9 arrastou aquele corpo moído até à viatura, jogando-o novamente na mala, dando-lhe um último soco no rosto sangrento de XXX.

Vamos embora! Ordenou C9.

Circularam com o carro por mais 5 minutos, e pararam em cima de uma ponte deserta e escura, que ligava a cidade ao porto.

Vamos ver se ele sabe nadar... Disse C9.

Saíram do carro, C9 e B4. Este último abriu a mala, e C9, que era muito forte, entornou XXX de costas, tirou-lhe as algemas, e arrastou-o até a beira da ponte.

"Doutor", eu espero do fundo da alma queo Senhor saiba nadar... Falou C9 para XXX.

Nesse momento, C9 levantou-o, e ferozmente arremessou aquele corpo espancado ao rio, que passava lá em baixo, uns 7 metros. O corpo caiu na água.

C9 acendeu um cigarro e tragou profundamente... Em seguida, virou-se, já caminhando para a viatura e disse para os outros:

Que tal um café com brôa?

2 comentários:

Luciana Cavalcanti disse...

...assonhombroso, caríssimo André!
Estou engolindo sêco...

Andróide disse...

por que será que o autoritarismo ainda é tão presente no Brasil?