10/04/2008

Reflexões acerca de Nada

Escrever sobre NADA é um enorme problema. Escrever NADA também. Uma série de dificuldades pode ser imposta a um texto que se aventure nesse tema.

A palavra NADA por si mesma já constitui um problema. O que é NADA? Além de uma palavra, o que é NADA? Significaria COISA NENHUMA? Significaria a antítese de TUDO? Mas, antítese de quê: de outra palavra que talvez signifique menos que NADA?

Não há como pensar NADA sem pensar sobre TUDO. E, por sua vez, é possível pensar sobre TUDO? Não seria tudo um ente vazio, uma metáfora? Neste sentido, NADA também seria uma metáfora. Mas, metáfora de quê? Como falar de COISA NENHUMA se para isso também deve-se levar em conta TUDO? A totalidade é possível, ou ela não passa de uma metáfora? Se for uma metáfora, isto equivaleria dizer que todo pensamento moderno, iluminista, positivista, e todos os seus implicativos, não passariam de uma metáfora, ou seja, que 400 anos de História foram atirados ao léu, em busca de uma “verdade metafórica”? isso, decerto, causa risos.

Seria então, o pensamento moderno uma mera ironia? Será que TUDO o que sempre se buscou, foi a materialidade de uma metáfora (TUDO/NADA)? Ou buscou-se (busca-se?!) a metaforização de uma matéria vazia?

Kant teria sido um grande teatrólogo? O Shakespeare iluminista? E Shakespeare teria sido o quê? Um zombeteiro ou um grego? Hegel passou tanto tempo perdendo-se nos confins de um pensamento inócuo? Há NADA, fenomenologicamente pensando? NADA seria um fenômeno da linguagem, ou mero devaneio? Ou nem um nem outro? E a apreensão de NADA (TUDO) será possível? Mas, aprensão de quê? De uma metáfora? Sim, quando se pensa que um Homem é forte como um touro, decerto isso não é uma metáfora. Um Homem realmente é mais forte que um touro. Mas, não se pode esquecer que os fracos são fortes justamente por serem fracos. A fraqueza é uma força. Ou, se não, como é que a moral cristã se firmou (?) no espírito tão diligente do Homem ocidental? Homem? Ocidental? Isso é TUDO? Ser “Humano”, ou “Ocidental? Não seriam também os ratos Orientais (sem metáforas) Homens ocidentais? E as pulgas! Ah! As pulgas... Essas sim não são meras metáforas. Quando os carrapatos (“super-pulgas”) espreitam seus alvos, e se jogam em busca do sangue de seus companheiros, decerto elas fundamentam uma linguagem que não é nem de longe metafórica. Em suma, o Homem é um “bicho” (se é que ele é capaz de constituir-se em bicho) metafórico, logo, HOMEM não existe.

Se HOMEM não existe, sendo ele um ser metafórico (e visto que as metáforas devem ser aniquiladas, pois que não versam sobre NADA) fenomenologicamente ele seria NADA? Caso a resposta seja positiva, isso significa dizer que o HOMEM deve ser aniquilado (lembrando, sem metáforas!)? caso seja negativa, o HOMEM deve ser aniquilado?

Qual o lado, então, que devemos ficar? Não existe lado. Se TUDO é NADA e vice-versa, então o HOMEM metafórico deve ser aniquilado.

Abolir as metáforas não é um princípio, pois. É uma fenomenologia que se esgota em si mesma. Assim, o HOMEM deve ser eliminado. Para quê? Talvez a pergunta seja mais bem formulada da seguinte forma: e porquê não?

Eliminar o HOMEM não é uma metáfora, nem muito menos um desejo revolucionário, nem tampouco niilismo. É um fato.

Em uma palavra, para sermos de fato HOMENS, devemos nos eliminar enquanto tais: apenas dessa forma superaremos as pulgas.

Um comentário:

Pedro disse...

o fim do homem, o começo da excritura.